O aumento de queimadas em Mato Grosso: crise ambiental ou manobra política?  

Nos últimos anos, o aumento das queimadas em Mato Grosso tem sido uma preocupação constante para ambientalistas, agricultores e toda a sociedade. Contudo, o que deveria ser uma questão puramente ambiental parece ter se tornado também uma arena de disputas políticas e estratégicas. Afinal, o que realmente está por trás desse aumento das queimadas? Seria apenas descuido e irresponsabilidade, ou existe algo mais profundo em jogo?

 

O Brasil viveu um período recente em que praticamente todos os problemas ambientais, principalmente as queimadas, eram atribuídos ao governo Bolsonaro. A narrativa de que as políticas de desregulamentação ambiental, associadas a interesses de expansão agrícola, eram as principais responsáveis por essa tragédia ambiental foi amplamente difundida. No entanto, com a mudança de governo e a chegada de Lula ao poder, essa mesma narrativa se enfraqueceu, mas as queimadas continuam.

 

Isso nos leva a questionar: o que mudou de fato? Se antes os incêndios eram constantemente utilizados como um instrumento de crítica ao governo, hoje, com um novo presidente e um novo discurso ambiental, por que o problema persiste, e até aumenta? A resposta pode estar ligada a algo muito mais complexo, envolvendo não apenas questões ambientais, mas também interesses econômicos e políticos.

 

Mato Grosso, como um dos maiores produtores de grãos do Brasil, está no centro dessa questão. A pressão sobre as áreas de floresta e cerrado para a expansão agrícola é imensa, e, em muitos casos, o uso do fogo para “limpar” terras tem sido uma prática recorrente, embora ilegal. No entanto, nada justifica que alguém, de forma deliberada, coloque fogo em áreas de preservação ou em regiões cuja devastação trará impactos ambientais e econômicos graves. Então, qual seria a motivação para atos tão prejudiciais?

 

Uma hipótese que merece ser considerada é a de que essas queimadas podem estar sendo utilizadas como uma espécie de manobra política e econômica. Sabemos que, muitas vezes, crises ambientais podem ser exploradas para justificar futuras mudanças na legislação, permitir concessões de áreas ou abrir caminho para novos empreendimentos. A destruição de grandes áreas poderia, por exemplo, criar uma “necessidade” de novas soluções, que podem incluir a venda de terrenos, a concessão de terras públicas ou até mesmo a exploração de recursos naturais de forma mais flexível. O uso do fogo, nesse contexto, poderia ser um instrumento para criar fatos consumados e pressionar por essas mudanças.

 

Além disso, é curioso observar como a narrativa política em torno das queimadas muda conforme o ocupante do poder. Se durante o governo anterior o discurso era de crítica feroz e responsabilização direta do presidente, agora parece haver uma tentativa de suavizar a questão. É evidente que a complexidade do problema vai muito além de um governo ou outro, e a culpa não pode ser atribuída exclusivamente a um único agente. No entanto, a mudança de tom no debate público sugere que as queimadas também estão sendo usadas como um instrumento político.

 

A pergunta que fica é: quem realmente se beneficia com essas queimadas? Em um estado como Mato Grosso, onde o agronegócio é um dos pilares da economia, é difícil acreditar que produtores responsáveis estejam deliberadamente incendiando suas próprias áreas ou promovendo a destruição do meio ambiente do qual dependem. Ao contrário, a maior parte dos agricultores sabe que a sustentabilidade é essencial para o sucesso de suas atividades a longo prazo. Isso sugere que os incêndios podem ser motivados por outros interesses, sejam eles políticos, econômicos, ou uma combinação de ambos.

 

É fundamental que a sociedade mato-grossense e brasileira como um todo fique atenta a essas manobras. As queimadas, que são um desastre para o meio ambiente e para a economia local, não podem ser tratadas apenas como resultado de descuido ou fatalidade. Há muito mais em jogo, e cabe a nós questionar quem está realmente por trás dessa devastação e quais são os verdadeiros interesses por trás das cortinas de fumaça.

 

Não será surpresa aparecer uma ONG  ou uma nova legislação, destinando milhões para esse fim até mesmo sem licitação para o beneficio de algum grupo.

 

Por fim, fica claro que a gestão ambiental, seja sob o governo anterior ou o atual, precisa ser tratada com mais seriedade e menos politicagem. A solução para as queimadas passa por uma ação conjunta, que envolva governos, empresários, ambientalistas e a sociedade civil, e que priorize o interesse público e a preservação do nosso patrimônio natural. Mato Grosso, com sua imensa riqueza ambiental, merece ser preservado, e é nosso dever garantir que ele seja protegido de manobras oportunistas que buscam transformar destruição em lucro.

 

Cláudio Cordeiro, é consultor de marketing político e eleitoral, CEO da Gonçalves Cordeiro, publicitário e advogado

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